quinta-feira, 7 de abril de 2011

Prólogo de Minha Eternidade

Um. Dois.Três.

Não há motivo. Não há razão. Não há necessidade de explicação.
O que é a morte senão uma parte de minha existência vazia?
Para quê idolatrar a vida se sei que ela acaba um dia?
Deixe-me acabar com essa supressão de fatos reais.
Deixe-me acabar com o ser desses seres em momentos curtos, diretos e cruciais.

Quatro. Cinco. Seis.       

O último me implorou pela sua vida. Não é minha culpa, meu caro!
A culpa é do que está ao meu redor. Veja o mundo que te cerca.
Eu sou o ápice de uma realidade. Não me culpe. Me adore.
Estou te dando a chance de se desprender desse mundo antes que ele esteja preso a você.

Sete. Oito. Nove.

Lágrimas me dão prazer. Não as minhas. Não as tenho. Nunca as tive.
Seu fim é agora. Não chore. Sorria para a contemplação do seu destino.
Destino que se encerra nas mãos de Deus através de minhas mãos.
Destina que lhe faz crer numa família em que tens irmãos
Quando tudo não passa de uma falácia do cotidiano tolo. Uma ilusão.

Dez. Onze. Doze.

Minha missão se cumpre. Minha missão termina com a de vocês.
Não sinto dor, pois já me desprendi desse sentimento carnal.
Sinto um rastro de prazer. Prazer em ter a honra de ser o que nenhum de vocês vai ser.
Sigam meu exemplo. Se libertem e se aproveitem dos nãos.
Sigam meu exemplo. Não há inferno para onde ir. Não há um pós se nem mesmo temos iniciação.
Sou o epílogo de minha vida. E aqui ela acaba para entrar no livro negro de sua realidade fútil.
Odeiem-me e amaldiçoem-me. Não se esqueçam que eu deixo esse corpo, mas volto em seu ínfimo espírito.
Sou o fim. Sou o início. Sou o nada. E meu nada tem fim. E o teu nada é pra mim. Tinha de ser assim.

Treze.


Giovani Santos

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